A avaliação do impacto na saúde (Health Impact Assessment - HIA) é um conceito que procura identificar as relações entre um conjunto de fatores ou políticas sociais e seus impactos sobre a saúde. Para explicar essa questão, a ENSP recebeu, no dia 22 de junho, o médico Carlos Dora, especialista em Epidemiologia e Meio Ambiente da Organização Mundial da Saúde (OMS) em Genebra, na Suíça, para a palestra Metodologias para a avaliação do impacto de políticas extra-setoriais sobre a saúde.
Para Carlos Dora, poucos países contam com a liderança e a qualidade que o Brasil tem no campo da saúde pública. "A capacidade analítica brasileira é diferente de outros países emergentes como Índia e China", disse. De acordo com o especialista, "é muito importante para a OMS a ideia de vir aqui e estabelecer um contato mais direto a fim de que possamos trabalhar juntos nesse campo da HIA."
O especialista lembrou que, há anos, discute-se a importância de incluir a saúde nos outros setores sociais e analisar quais os mecanismos de governança estão em torno disso, porque, segundo ele, a avaliação de impacto é uma coisa pontual, mas está num contexto amplo. Carlos explicou que, ao se estimar os efeitos que os projetos, programas e políticas apresentam na saúde das populações, é possível maximizar os efeitos positivos e evitar os negativos.
Uma avaliação de dados epidemiológicos mostra que 25% das cargas de enfermidade poderiam ser eliminadas do mundo com medidas ambientais. Nesse caso, não se deve considerar a poluição como um fator, mas considerar a segurança ambiental no seu contexto geral, seja o ambiente social, físico e de poluição, por exemplo. "Sabemos que, dentro da OMS ou dos ministérios da saúde, menos de 25% da força de trabalho e de investimento são destinados a essa parte de prevenção primária", citou Carlos, "por isso a crescente importância da HIA na sociedade."
Para exemplificar como ocorre a avaliação do impacto na saúde, Carlos Dora apresentou um exemplo nas políticas de transportes. "Sabemos que as políticas de transportes são responsáveis por inatividade física, acidente de tráfego, poluição, ruído, transporte rural, entre outras coisas. Mas nós, enquanto setor saúde, trabalhamos de forma desintegrada, o que leva a muita ineficiência", disse. Segundo o especialista, o raciocínio do pessoal de transporte é com a fluidez do tráfego e a perda de tempo em trânsito, por exemplo, enquanto o pessoal da saúde se preocupa com questões de determinantes da saúde no trânsito.
"É importante trabalhar com outros setores porque, se não levarmos em conta o que acontece com a saúde nesses setores, estamos gerando custos sanitários para a população e para a sociedade como um todo, sendo estes completamente desnecessários e levam a uma distorção de investimentos no futuro", afirmou. Carlos Dora mostrou ainda exemplos de como a OMS, em parceria com bancos de investimento, colabora na relação dos impactos da saúde nas políticas de habitação, comunicações, transportes ou sanitárias em desenvolvimento pelo mundo.
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